02
Mar 15

Eva chegou à pseudo-conclusão de que dispensava tempo para tudo de forma tão comprometida e afincada que acabava por se "desprezar" a si mesma, isto é, esquecendo-se e não se tratando como merecia. Descurava-se quando trabalhava, quando chegava a casa "estourada" e ainda tinha pela frente uma maratona de imensuráveis trabalhos a desempenhar - coisas de trintona que teimava em dar o nó - quando a sua presença era solicitada nos mais variados locais, quando namorava...Tão apaixonada, tão dedicada, tal como se fosse o primeiro encontro, o primeiro beijo, o primeiro toque, enfim era capaz de transformar a rotina em algo primário.

Esta mulher vista por muitos como "Super woman", lá no fundo também travava uma enorme luta contra os seus medos. Sim, Eva também era portadora de alguns medos, e lutava com todas as suas forças para que esses medos nunca se sobrepusessem aos seus reais projectos de felicidade, que ela não sabia ainda bem o que seria e se existia mas que pelo menos lutava por isso. De tempos a tempos vinha um desses dias em que o terrível medo, capaz de deitar tudo a perder quando nos entregamos demasiado a ele, vencia Eva, e esta sentia-se derrotada. Era de facto uma questão de entrega. Se ela se entregasse ao medo sairia derrotada dia sim, dia sim. Caso o repugnasse e se entregasse ao lado positivo da vida, tudo seria mais facilitado. Seria pelo menos mais fácil de obter o sabor da vitória, não sem antes ultrapassar obstáculos como é óbvio. Contudo, no poucos momentos em que se sentia arrasada, relembrava os conselhos sábios daqueles que tinham marcado a sua vida, sobretudo a infância e juventude. Nunca se esqueceu das palavras do seu professor primário, o prof. Fernando: "Eva, só cai quem tenta caminhar, e só tem capacidade de caminhar aquele que possuir a força necessária para se erguer." Pensando nisto, era-nos possível ver um sorriso bem estampado naquele rosto ternurento e amoroso. 

A Verdade Liberta às 16:53

26
Fev 15

O trabalho era encarado por Eva como algo que tinha de fazer e não algo para se ir fazendo apenas como obrigação pura, esperando o final do mês para que "o melhor" caísse na conta bancária. 

Eva é uma mulher competente. Séria, honesta, pontual, carinhosa, atenciosa. Tudo o que um patrão sonha. Contudo, é também muito, muito apaixonada. Apaixonada pela vida, pelos pais, que já estão velhinhos e acamados, cansados da vida de esforço e luta para que a filha chegasse ao topo, e que agora estão dementes, restando apenas à filha tratá-los como bebés que de facto são. 

Depois de um dia de trabalho intenso, o sol ainda brilha lá fora e Eva decide terminá-lo na praia com os pés descalços, caminhando sobre a areia branca, contemplando à sua volta toda uma calmia que até a faz sentir arrepios, que a faz pensar em si, nos outros, na sua vida em geral, nas decisões que vai tomar, nas que já tomou e nas consequências delas. A partir deste dia, Eva tornou-se uma mulher contemplativa...

A Verdade Liberta às 18:57

25
Fev 15

A luz matinal é sempre inspiradora e carregada de incertezas.
O despertador tocou e Eva acordou sobressaltada porque pensava ter dormido só uma hora...E de facto foi. A noite tinha sido inquietante - entre preocupações e dores de cabeça, e a dor de não ter o seu amado por perto - que quando adormeceu, logo se iria levantar parecendo ter tido tempo apenas para fechar vagarosamente os seus lindos olhos.
Com as forças que tinha ergueu-se, arranjou-se o mais rapidamente possível, saiu, entrou no carro, virou a chave, olhou-se mais uma vez ao retrovisor e antes de começar a marcha lembrou-se: "Porra, não me penteei de jeito, não estiquei este cabelo espigado e nem um trago a perfume levo em mim...Olha que se lixe, hoje serei eu mesma." E saiu rumo a mais um dia..

A Verdade Liberta às 10:55

24
Fev 15

Era noite. Ia já adiantada. O dia possivelmente iria raiar em poucas horas,  o sono não chegara, a vontade de dormir tão pouco, e aquele coração sôfrego apenas esperava um palavra, um gesto, uma atitude, um carinho... Essencialmente... um "AMO-TE".

A Verdade Liberta às 22:50

23
Fev 15

O amor é capaz de me fazer esquecer de mim mesmo...O amor educa... O amor também leva ao sofrimento... O amor faz-me chorar de alegria...O amor leva-me a descobrir o que há de menos bom...Mas não há nada melhor do que AMAR! Amem muito, e sejam felizes! Boa noite

A Verdade Liberta às 23:35

18
Fev 15

Por vezes sinto que a liberdade não passa de uma palavra bonita, vazia de sentido e desprovida de conteúdo. Mas porquê? Não sei…

Questiono-me imensas vezes se ela existe? Será que foi mesmo conquistada por revoluções civis? Revoluções espirituais? Mas que liberdade é essa? Ter-nos-á sido dada a liberdade total que nos permite até “roubar” a liberdade do outro, subjugando-o aos nossos interesses e às nossas ideias? Como posso ser livre numa sociedade carregada de leis, burocracias e medos? Sim, medos! Muitos! Os nossos medos existem por falta de liberdade? Quiçá… E qual é a VERDADEIRA liberdade? O que significa afirmar que sou livre? Mas que raio afinal é esta coisa apelidada de liberdade, que até parece nos aprisionar, fazer sofrer, magoar, esventrar-nos, verter lágrimas e suor de desespero?

Haverá liberdade no amor? O que é o amor completamente livre? Quem ama respeita a liberdade do outro…Mas que liberdade? Será que tenho medo de me sentir livre? Um homem livre pode ser equiparado a um louco, mas um homem louco nunca será um homem livre!?

Contudo, vivemos a sonhar, pensando que somos livres…Ainda bem que sonhamos…

A Verdade Liberta às 23:49