Quarta-feira , 09 de Maio DE 2012

Quando tudo cai por terra

Imagem retirada na net
 

Na nossa vida existem determinados acontecimentos e/ou situações que por vezes são capazes de nos deixar completamente de rastos. Assim, percebemos o quão frágeis somos. As certezas que anteriormente desfrutávamos, convertem-se em incertezas colossais e em dúvidas terríveis, capazes de abalar com o que de mais consolidado havia em nós. Sentimo-nos impotentes, fracos, derrotados e sem qualquer tipo de reação perante “cenas” deste tipo.  

Quando existe algo capaz de nos derrubar e deitar por terra as nossas certezas, a solução primeira que encontramos é a de baixar os braços e parar de lutar. Admitimos que somos fracos e ainda conseguimos fazer de nós próprios mártires das nossas atitudes/acções. Ficamos com o nosso interior desfeito, com a cabeça a girar em torno de coisas indefiníveis e simplesmente abandonamo-nos à desordem que reina no nosso interior.

Estarmos com o “mundo interior” desfeito é sem dúvida das piores coisas que nos podem acontecer. É querer lutar pela sua reconstrução e sentirmos inúmeras quedas a cada passo, algo que se vai desfazendo e sendo derrubado, como quem levanta um muro, que vai caindo sempre antes de estar concluído. De seguida o sentimento da frustração sobressai e ressalta, levando-nos a desanimar, a andar tristes e oprimidos, e a fazer com que não sejamos verdadeiramente felizes.

Nos dias de hoje, o que não falta é gente frustrada, incapaz de discernir o bom do mau, gente que prefere uma felicidade momentânea porque a luta a travar para obtê-la é bem menor do que a luta pela felicidade contínua, gente que prefere ir atrás desta ou daquela moda, deste ou daquele modelo, e esquecem-se que no final tudo saberá a nada. Acabarão a olhar o seu interior e a pensarem que tudo foi em vão, que tudo foi tão supérfluo.

É necessário que pensemos mais, que sigamos mais o que nos dita a nossa consciência e que não nos deixemos ser embrulhados nesta onda horrível de superficialismo que nos destroça totalmente e que acaba inevitavelmente numa das palavras mais usadas nos nossos dias, ou pelo menos num dos sentimentos que mais se “palpam” por aí, que é a frustração.

A Verdade Liberta às 12:41
Sexta-feira , 27 de Abril DE 2012

Há dias assim

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Hoje, tal como todos os dias, saí à rua para o café habitual, para uma conversa igualmente habitual e agradável, para passear pelos recônditos da cidade e para tratar de alguns assuntos pendentes.

Depois de já ter realizado diversas coisas, dei comigo a pensar que talvez durante todos os meus percursos podia ter falado com muito mais gente nem que fosse com um simples sorriso ou com um “olá”, mas, há dias assim! Comecei a pensar que a conversa no café podia ter sido muito mais produtiva e interessante, mas, há dias assim! Até acho que devia ter pago o café com uma nota só para que no tempo em que o empregado estivesse a fazer o troco eu lhe pudesse falar, mas, há dias assim! Penso que podia ter percorrido menos metros pela cidade, mas hoje deu-me para divagar e “perder-me” entre este e aquele (des)encontro, pois, há dias assim! Penso que podia ter dado mais atenção aos que de mim precisavam, aos que necessitavam de um abraço, de um sorriso, ou de uma palavra confortante, mas, caramba, há dias assim! Podia também ter visitado o lar, podia até ter dado esmola a um mendigo, mas, há dias assim! Devia ter conseguido compreender melhor os outros, devia ter sido mais paciente, mas há dias em que nada se percebe, em que tudo é turvo, não sei porquê. Só sei que há dias assim!

Mas o que são estes “dias assim”? Não sei. Não consigo entender. Acho que fazem parte de mim, parte de ti, parte de nós. Não queria que houvesse dias assim! Mas hoje, foi um dia assim! E não há volta possível a dar.

(In)felizmente há dias assim!

A Verdade Liberta às 11:33
Domingo , 01 de Abril DE 2012

Está muito barulho

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Há um barulho horrível e um frenesim imenso. Conversas cruzadas, vozes que se sobrepõem umas às outras, e tu estás atónito. Permaneces calado e sereno. Tentas compreender o que se passa à tua volta, o que estão a sentir aqueles que te rodeiam, o que lhes perturbará tanto para tão megalómano ruído, o que sentirão uns em relação aos outros?

Passado algum tempo tentas acalmar os ânimos, mas logo és silenciado porque as tuas palavras são incomodativas, provocadoras, e gostas imenso de lançar perguntas às quais eles não sabem responder, ou que lhes “dói” responder, e isto perturba-os imenso, portanto a solução é mesmo fazer-te calar, mas até a tua presença os aflige, pois eles sabem que estão a agir de forma errada, estão a fazer muito barulho, não se estão a compreender, estão a perder a paciência, e tu, no meio de tanta balbúrdia permaneces tranquilo. Esta postura interpela-os profundamente. Acham demasiado estranho. Porque não entras também tu para o barulho? Porque não partilhas das opiniões e dos juízos deles? Porque te manténs à parte?

No momento ninguém te percebe porque o barulho tem este efeito ensurdecedor e não lhes permite ouvirem-se e raciocinarem. Só mais tarde percebem o porquê de tal atitude da tua parte. E aí concluem que foste e és assim porque sempre deste espaço a ti próprio, sempre te escutaste, sempre te olhaste interiormente para analisar tudo o que necessitas corrigir. Depois de perceberem todos os motivos, o semblante abateu-se-lhes e o barulho foi diminuindo até que um dia se extinguiu.

A Verdade Liberta às 21:40
Quinta-feira , 29 de Março DE 2012

Cruzamento de olhares

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Todos conhecemos a passagem da Sagrada Escritura que relata o encontro de Zaqueu com Jesus ( Lc 19,1-10).

No meu modo de ver muito simples e humilde, existe um momento crucial neste episódio, que é o momento em que Cristo cruza o seu olhar com o de Zaqueu. Isto, porque a partir desse momento tudo se modifica, tudo se transforma. Jesus ao olhar Zaqueu que estava em cima de um sicómoro diz-lhe: «Zaqueu desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.» Esta foi uma ordem de Jesus, porque ele afirma que tem de ficar em casa de Zaqueu. Assim, ele ao admitir que é de facto pecador, desce da árvore com uma alegria imensa e “enlouquece” de alegria ao ver o grande amor de Deus manifestado nesta ordem, pois com certeza, este homem cobrador de impostos, não se achava digno de receber Jesus em sua casa, ele que era um grande pecador.

Hoje, o convite que Jesus fez a Zaqueu, torna-se presente. Jesus pede-nos para descermos da árvore da soberba, do egoísmo, da falsidade, da mentira, de todas as árvores que nos impedem de amar, e pede para ficar em casa de cada um de nós, isto é, habitar o nosso ser. Jesus quer cruzar o seu olhar com o nosso e quer deixar-nos “loucos” com o seu amor. Contudo, para que se dê este verdadeiro encontro entre a minha pessoa e a pessoa de Jesus, tal como aconteceu com Zaqueu, é necessário nos libertarmos dos nossos vícios, dos nossos comodismos e até mesmo daquilo que possuímos. Quando não possuirmos nada, seremos capazes de nos entregar por completo para que se dê o verdadeiro encontro com Deus que não permite posse nem comodismo.

 

 

A Verdade Liberta às 18:46
Domingo , 12 de Fevereiro DE 2012

Retirem-se as máscaras

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Estamos a poucos dias do Carnaval. Por esta altura as lojas enchem-se de novidades carnavalescas, de objectos próprios para esses dias. Há dias, depois de tomar café, observei na montra de uma loja vários objectos de Carnaval, entre eles algumas máscaras que logo me chamaram à atenção. Podem perguntar: Mas o que tem isso a ver comigo, com a minha pessoa? Poderá ter tudo e não ter nada. Todos sabemos para que serve uma máscara, porque se as usam no Carnaval (e não só). Servem de disfarce, de distorção da realidade. O mundo está com máscaras a mais, não só as de Carnaval, mas aquelas que se usam durante todo o ano, no dia-a-dia. Cada pessoa tem uma máscara. Uma para o amigo/a, outra para os pais, outra para o/a vizinho/a, outra para os colegas de trabalho, outra para o patrão, etc… Estas máscaras que deturpam a realidade, escondem a verdadeira personalidade de cada pessoa, e mais cedo ou mais tarde, os “elásticos” que as suportam na face vão rebentar. Quando tal acontecer, muitos desesperarão, outros chorarão e outros, embora em menor número (espero eu) rir-se-ão de si mesmos. Estas máscaras escondem o que ninguém quer revelar, os seus segredos, os seus mistérios, mas temos de aprender a viver de “cara limpa”. O mundo está sobrecarregado com tanta máscara. Cabe-nos a nós fazer a nossa parte. Ou retiramos as máscaras ou permanecemos com elas, com a certeza de que mais cedo ou mais tarde elas cairão. Tu escolhes!

A Verdade Liberta às 16:55
Quinta-feira , 26 de Janeiro DE 2012

É preciso sorrirmos

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Quando foi a última vez que sorriste?

Espero que não tenha sido há mais de dez minutos.

É bom sorrir. Faz-nos bem, liberta-nos, distrai-nos.

O sorriso expressa o que nos vai no íntimo profundo, expressa os nossos sentimentos e a nossa personalidade. O sorriso é um misto de sentimentos expresso num simples gesto.

Uma pessoa por mais carrancuda que seja tem necessidade de sorrir e de receber sorrisos. O nosso povo diz e muito bem que “um gesto vale mais que mil palavras”. Neste caso, digo-vos que um sorriso vale imensamente mais que mil e uma palavras. Tantas vezes que encontramos alguém que necessita apenas de um simples sorriso e, ao contrário disso, começamos com conversas intermináveis, durante tempo indeterminado, e passado tudo isso, vamos embora e nem um sorriso fomos capazes de dar, quando no fundo aqueles três segundos de sorriso valeriam muito mais que todos os minutos ou horas de conversa.

Precisamos de aprender a sorrir. Precisamos de voltar a dar valor às coisas simples. Precisamos deixar de lado a etiqueta nos relacionamentos com os outros, pois esta só conduz a relações e a expressões sentimentais falsas. O sorriso contagia, alegra, interpela e faz-nos viver mais alegres.

Mesmo no meio das maiores dificuldades, temos de saber sorrir. É imperativo!

A Verdade Liberta às 18:59

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