Quando tudo cai por terra

Na nossa vida existem determinados acontecimentos e/ou situações que por vezes são capazes de nos deixar completamente de rastos. Assim, percebemos o quão frágeis somos. As certezas que anteriormente desfrutávamos, convertem-se em incertezas colossais e em dúvidas terríveis, capazes de abalar com o que de mais consolidado havia em nós. Sentimo-nos impotentes, fracos, derrotados e sem qualquer tipo de reação perante “cenas” deste tipo.
Quando existe algo capaz de nos derrubar e deitar por terra as nossas certezas, a solução primeira que encontramos é a de baixar os braços e parar de lutar. Admitimos que somos fracos e ainda conseguimos fazer de nós próprios mártires das nossas atitudes/acções. Ficamos com o nosso interior desfeito, com a cabeça a girar em torno de coisas indefiníveis e simplesmente abandonamo-nos à desordem que reina no nosso interior.
Estarmos com o “mundo interior” desfeito é sem dúvida das piores coisas que nos podem acontecer. É querer lutar pela sua reconstrução e sentirmos inúmeras quedas a cada passo, algo que se vai desfazendo e sendo derrubado, como quem levanta um muro, que vai caindo sempre antes de estar concluído. De seguida o sentimento da frustração sobressai e ressalta, levando-nos a desanimar, a andar tristes e oprimidos, e a fazer com que não sejamos verdadeiramente felizes.
Nos dias de hoje, o que não falta é gente frustrada, incapaz de discernir o bom do mau, gente que prefere uma felicidade momentânea porque a luta a travar para obtê-la é bem menor do que a luta pela felicidade contínua, gente que prefere ir atrás desta ou daquela moda, deste ou daquele modelo, e esquecem-se que no final tudo saberá a nada. Acabarão a olhar o seu interior e a pensarem que tudo foi em vão, que tudo foi tão supérfluo.
É necessário que pensemos mais, que sigamos mais o que nos dita a nossa consciência e que não nos deixemos ser embrulhados nesta onda horrível de superficialismo que nos destroça totalmente e que acaba inevitavelmente numa das palavras mais usadas nos nossos dias, ou pelo menos num dos sentimentos que mais se “palpam” por aí, que é a frustração.




